Einstein e Kardec: A conexão entre Ciência e Fé

Resenha - Einstein e Kardec: A conexão entre Ciência e Fé

Quando vi esta capa pela primeira vez, pensei: “Kardec e Einstein em um livro, deve ser simplesmente maravilhoso!” Afinal, para alguém espírita com formação na área científica, seria mesmo um sonho ler sobre a união entre o pensamento científico e o pensamento espírita de forma clara, correlacionando termos, detalhando, etc. Porém, o que eu vi foi mais uma apropriação de termos científicos sem nenhuma base. (Caso queira adquirir um exemplar, poderá fazê-lo pela Amazon)

Adquira Einstein e Kardec: A conexão entre a ciência e a fé

Eu percebi o livro como sendo dividido em 3 partes: a primeira, tentando trazer Einstein como um novo vulto do espiritismo, muito pouco de Kardec e suposições e conclusões muito equivocadas; a segunda, uma crítica velada a uma das maiores instituições espíritas que se conhece no Brasil; a terceira, falando um pouco sobre a mediunidade, com direito a indiretas para a outra instituição.

Aí vocês podem estar se perguntando: “Tá, mas e o objetivo do livro é qual?” Pois é, meus caros, também estou querendo saber… Deixando essa falha de continuidade e entendendo o livro como um desabafo em meio a devaneios do autor, vamos ao conteúdo.

A segunda parte foi interessante, porque, particularmente, eu até gosto de ver um barraquinho, mas me pareceu fora de contexto no livro entitulado “Einstein e Kardec”. A terceira parte foi interessante e, até mesmo, útil. Agora… a primeira parte me deixou louca!!

Logo no início, eu li na orelha do livro que o autor é um massagista, magnetizador, editor, escritor e pesquisador espírita. Aí vocês podem me perguntar: “mas só porque o rapaz não é um cientista, ele não pode entender de ciência?” Pode, e sinceramente eu esperava que fosse o caso. Porém, ele começa a se apropriar de termos científicos e enumerar teorias, sem o devido embasamento, muitas vezes cometendo erros grotescos. Vejamos alguns exemplos:

No primeiro capítulo, o autor faz uma crítica a muitos cientistas por não acreditarem que o universo tenha sido criado por Deus, mas que defendem uma teoria em que as coisas teriam surgido de uma explosão. O tom de deboche é muito claro ali, principalmente quando afirma que a teoria de uma “explosão ocasional gerando formas e seres inteligentes é um pensamento infantil”. Também fica claro que o autor não acredita que o Big Bang (teoria que já foi comentada por aqui) possa ter sido coordenado por uma inteligência superior (não que os cientistas defendam isso, mas essa teoria e a existência de Deus não são excludentes). Além disso, o autor desconhece, ou desconsidera, que existem outras teorias científicas sobre o assunto, embora menos conhecidas.

Para mostrar que tem cientistas que não defendem tal teoria e que acreditam que tudo tenha sido criado por Deus, ele cita Isaac Newton. O problema é que Newton nem chegou a conhecer a teoria do Big Bang, porque essa teoria é de 1948 e Newton viveu entre 1643 e 1727, então ele não pode ser contra e nem a favor. O autor afirma, ainda, que a afirmação de Newton citada no livro não tinha influência religiosa. Talvez nosso amigo não saiba que seu padrasto era clérigo e que ele possuía vasta biblioteca sobre teologia, que estudou e escreveu sobre o Apocalipse entre outros trabalhos sobre a Bíblia e questões religiosas (ao final do post, deixarei um link para uma de suas obras de cunho religioso).

Em outro trecho, o autor afirma que Einstein “aponta a tradição cristã como o caminho ideal para o desenvolvimento espiritual da humanidade”. Que Einstein era religioso, há alguns relatos, embora não se tenha certeza sobre como se portava sua religiosidade, com relatos de que ele acreditava no Deus Universal, de Espinoza. Mas cristão? Einstein era judeu de nascimento, deixou de voltar para a Alemanha porque Hitler chegou ao poder, como ele afirma que Einstein defendia a tradição cristã? Ele podia não falar contra, mas daí apoiar e tratar como caminho ideal, pouco provável. Nas passagens seguintes, Einstein é cristianizado e quase “espiritizado”.

Deixando Einstein de lado e falando sobre um pouco sobre Física Quântica, o autor chega a dizer que alguns dos cientistas perceberam que as partículas tinham vontade própria. Ninguém nunca afirmou isso, pelo menos não no sentido que o autor dá, em que as partículas parecem serem dotadas de personalidade, alma ou algo que o valha. A propósito: um dos cientistas citados é Heisenberg e por causa do seu Princípio da Incerteza, que diz APENAS que não pode ser conhecido o local em que o elétron está e sua velocidade ao mesmo tempo. Tem algumas fórmulas, algumas continhas, mas nenhuma personalidade.

O autor afirma:

“No meu ver, com o trabalho desenvolvido em torno da Energia, ele estabeleceu no cenário científico a incontestável hipótese de que existe uma força intangível atuando sobre a Energia, imprimindo nela a condensação que estabelece a ponderabilidade das formas.”

Devo discordar, nada disso foi estabelecido, e não existem trabalhos científicos reconhecidos com esse foco.

Ele ainda afirma que Einstein e Kardec trabalharam na mesma obra. Não. Por Deus, não! Einstein não trabalhava para desenvolver uma religiosidade genuína nos corações humanos, por mais que ele pudesse ser religioso, seu trabalho era puramente científico.

Confesso que me deu um certo alívio quando o autor citou a antimatéria sem tentar explicar.

Só para terminar, queria deixar um trecho do livro que parecia uma autocrítica, se tivesse alguma a esse respeito. A crítica do autor é sobre a “proliferação de romances mediúnicos”, mas se encaixa perfeitamente para a obra em questão:

“Os médiuns inspirados só pecam quando se entregam às fantasias da própria imaginação elaborando revelações mirabolantes e destituídas de bom senso, atribuindo-as aos Espíritos superiores. Estas sim, comprometem as estruturas do nosso movimento, suscitando polêmicas absurdas, contraditórias e, muitas vezes, até infantis, depondo de forma gritante contra a razão e a lógica.”

Adquira Einstein e Kardec: A conexão entre ciência e a fé

Links para obras relacionadas:

As profecias do Apocalipse e o livro de Daniel, por Sir Isaac Newton: Amazon

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: