Mudanças, viagens e o livro ideal

Faz um tempo que não apareço por aqui, mas por um bom motivo: mudei-me para os Países Baixos (ou como gostamos de chamar no Brasil, para a Holanda). Isso significa que, em breve, conteúdos ligados à cultura europeia aparecerão por aqui. Serão bibliotecas, livrarias, museus… tudo o que a imaginação, a grana e a vacina permitir. Eu já tenho mostrado algumas poucas coisas nas minhas redes, em especial o perfil pessoal que criei no Instagram, para não misturar demais os assuntos literários com coisas muito aleatórias (se você ainda não me segue, entra lá no perfil @carolina.bagnetti).

Porém, hoje estou aqui para comentar sobre o livro que me acompanhou nesse trânsito pelo Atlântico e nos primeiros dias no Velho Mundo. Claro que eu trouxe o que pude de livros físicos na mala, além do Kindle recheado de ebooks (e você pode conferir quais títulos vieram para cá na primeira “remessa” nesse post)! Porém, aquele que teria o papel de me acalmar e manter meu otimismo durante a viagem, teria que ser especial. E eu tinha o título perfeito comigo!

Tudo tem uma primeira vez é o terceiro livro que leio de Mariana Kalil, também autora de Peregrina de Araque e Vida Peregrina, todos editados pela Dublinense, que me cedeu as cópias em parceria. Eu sabia que o humor leve e os perrengues muito reais de Mari conseguiriam manter minha ansiedade mais baixa e me fazer sonhar com as novas possibilidades, efeito que já havia sentido ao ler seus outros livros. O que eu não contava é que justamente esse título cairia tão bem para o momento.

Isso porque, ao falar de várias primeiras vezes em sua vida, Mariana nos encoraja a seguir em frente, a não temer as novas experiências. Lembra-nos de que não nascemos sabendo e que tudo o que consideramos parte de nós hoje, um dia foi aprendido. Teve um momento em que aprendi a ler, em que adotei meu primeiro gato, meu primeiro dia de escola… E nem sempre as primeiras experiências são boas, mas certamente não serão perfeitas. E o erro faz parte do aprendizado. Muitas vezes, precisamos cair para saber levantar, ou tropeçar para saber onde fica aquela pedra e desviar no futuro.

Mariana, com seu humor tão gostoso, nos mostra, sem qualquer tom professoral, que saber rir de si mesmo pode ser a melhor solução. Afinal, não é necessário agravar algo que já está complicado e, talvez, o bom-humor seja a chave para aliviar as situações e mesmo resolve-las.

Mas, algo triste me ocorreu ao terminar o livro, apesar de todo o suporte que, sem saber, Mariana me deu nessa enorme mudança em minha vida. É que este é o último livro que terei o prazer de ler e que tenha saído de suas mãos. Mariana Kalil faleceu no ano passado, ainda muito jovem e, ler Tudo tem uma primeira vez foi uma espécie de despedida de minha nova amiga.

Como comentei na resenha de Vida Peregrina, sinto aquela tristeza de não poder conhecê-la. Ao mesmo tempo, sinto uma alegria imensa de ter tido contato com sua obra e sua vida, e me sentir acolhida pelo seu legado.

Assim, encerro essa resenha/recado indicando a todos a leitura, não só de Tudo tem uma primeira vez, como de todos os três livros de Mari Kalil, essa moça que permanece alegrando e acolhendo os corações ansiosos.

4 comentários em “Mudanças, viagens e o livro ideal

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    1. Muito obrigada! ♥

      Também fiquei muito triste quando soube que a autora havia falecido. Foi logo depois que li o primeiro livro, o Peregrina de Araque, enquanto conversava com o pessoal da editora…

      Curtido por 1 pessoa

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