Resenha – Vida Peregrina

Tem pessoas por quem a gente sente um carinho muito grande mesmo sem conhecermos pessoalmente. É assim que me sinto em relação a Mariana Kalil, essa pessoa adorável, engraçada e talentosa, autora de três livros (um deles já resenhado por aqui), que eu adoraria ter conhecido e batido um papo sobre a vida. E por falar em vida, Vida Peregrina, editado pela Dublinense e de quem recebi a edição virtual em parceria, funciona como uma pequena autobiografia sua, bem-humorada e cheia de fatos e sentimentos tão comuns quanto especiais.

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Mariana é uma gaúcha que, desde muito cedo, sabia que era uma estrela. Quase acabou na carreira de dentista, mas se descobriu no jornalismo, onde poderia exercitar sua criatividade e se aventurar em diversas oportunidades. Porém, a vida nunca é tão simples quanto a gente gostaria e Mariana enfrenta vários reveses, muda de planos algumas vezes e se depara com sentimentos contraditórios em situações tão parecidas entre si. Em resumo, Mariana expõe sua trajetória, não com glamour e heroísmo cinematográficos, mas com toda a sua humanidade.

E é exatamente isso que nos aproxima dela. Afinal, quem nunca tomou decisões precipitadas em um momento de euforia, quem nunca precisou de umas férias da rotina que levava, quem nunca deixou o certo e foi atrás do duvidoso? Quem nunca errou, chorou, riu e acertou na vida?

[…] e não só acreditei como passei a viver atordoada com aquela provocação: “Posso ir pra onde quiser. Preciso ir pra algum lugar. E agora? Pra onde eu vou?”

Com toda a sua vulnerabilidade, Mariana demonstra um otimismo singular. Ela, que se considerava tão pessimista, nos mostra o mundo através de suas lentes cor-de-rosa, com um humor delicioso. E que título acertado! Mudança é a palavra que melhor descreveria esse livro, com diversas reviravoltas, lembrando o quanto estamos peregrinando nessa vida e que o apego mais atrapalha que ajuda.

A franqueza de Mariana, com suas dúvidas, angústias e indecisões, pode ser desconcertante. Afinal, muitos de nós ainda preferimos manter nossa humanidade escondida e vestir uma capa de perfeição. Por isso mesmo, é interessante esse encontro com alguém tão disposta a se despir dessa fantasia. Pode ser inspirador!

[…] careço do espírito cristiano que assegura que sofrendo se aprende. Acho que sofrendo se sofre.

Outra lição que (re)aprendemos com Mariana é que a felicidade está nas pequenas coisas: naquele doce que só se come aos domingos, naquela conversa despretensiosa, no passeio com o cachorro (ou o carinho no gato, se preferir), em um jantar que deu errado, mas que o improviso deixou melhor ainda. É relativamente fácil alcançar a felicidade, mas exige, por vezes, alguma dose de maturidade para reconhecê-la.

Por fim, a única coisa que me deixa triste é não ter tido a oportunidade de conhecer Mariana Kalil. Ri e chorei com cada um dos momentos de sua Vida Peregrina e já me sinto sua amiga, mesmo que essa amizade seja apenas de um dos lados.

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