Resenha – Frankenstein

O que vem a sua mente quando se fala em Frankenstein? Com algumas pequenas variações, eu aposto que a imagem que se forma é a de um monstro em forma humanoide, todo costurado, talvez com pinos na cabeça e lentidão ao andar. É possível que você também se recorde de uma cena famosa de um cientista maluco dando vida a esse monstro, com muitos raios pelo laboratório e gritos eufóricos. Mesmo para quem nunca assistiu nenhum filme baseado nessa obra clássica, escrita por Mary Shelley, no século XIX, essas são imagens icônicas e que ficaram gravadas no imaginário popular. E que, no fim, podem não ser uma representação muito fiel da obra original… A começar pelo nome Frankenstein que, na verdade, é o sobrenome do cientista, ou melhor, estudante de ciências, Victor Frankenstein, e não de sua criatura, como acabamos atribuindo, na maioria das vezes.

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Victor era um jovem de ego bastante inflado e com um grande apreço por Alquimia, o que ele considerava como ciência antiga e menosprezada por seus contemporâneos. Após partir para o que consideraríamos hoje a faculdade, ele passa a se interessar um pouco mais pela Química, mas sem abandonar seus antigos estudos e passa a alimentar uma ideia grandiosa: libertar a humanidade das doenças e da morte!

O que havia sido o estudo e o desejo do mais sábio homem desde a criação do mundo estava agora ao meu alcance.

p. 37 (tradução minha)

É assim que ele passa a roubar pedaços de corpos do cemitério e a compor o seu novo ser, em um experimento solitário e “profano”, na expectativa de gerar uma vida imune às mazelas típicas da espécie humana e com habilidades, como força e velocidade, aumentadas. Porém, quando sua criatura desperta, Victor é tomado por imenso pavor e desprezo, o que o faz abandonar sua criação à própria sorte, tendo início aí o maior de seus tormentos.

Mary Shelley trabalha temas muito importantes com maestria em sua obra e o primeiro que eu gostaria de destacar é o abandono parental. Ao dar a vida para a criatura, Victor deveria ensiná-la, acolhe-la, responsabilizar-se por ela, mas, ao contrário, ele foge. A partir disso, a criatura desenvolve comportamentos a partir de um aprendizado inadequado, por necessidade e oportunidade, mas sem nenhum tipo de amparo. A meu ver, a forma como a criatura passa a se comportar assemelha-se ao de uma criança que apenas reage às frustrações, porém, com maior potencial de destruição. Trazendo esses fatos para a nossa realidade, fica claro o quanto o abandono impacta a vida de uma criança e como as consequências podem ser imprevisíveis.

Assim, estranhamente nossas almas são construídas, e por tão leve ligações estamos conectados à prosperidade ou à ruína.

p. 27 (tradução minha)

O segundo aspecto que eu gostaria de destacar da obra de Mary Shelley é a preocupação com os limites da Ciência e, de certa forma, com questões morais, assuntos que nos acompanham ainda nos dias atuais. Não a moral puritana, mas a responsabilidade sobre os próprios atos e a consciência das próprias limitações. Esses eram assuntos recorrentes, especialmente na Inglaterra do século XIX, período em que as grandes revoluções industriais se iniciaram e, com elas, problemas antes inimagináveis e que nos cobram a conta até hoje. É interessante perceber como ainda temos as mesmas preocupações, mas com tecnologias diferentes…

Frankenstein não é um livro que me deu medo, embora ele esteja alocado na categoria “terror”. Porém, é preciso notar que Mary Shelley inaugura a Ficção Científica com essa obra, estabelecendo as bases para muitos livros do gênero que ainda viriam (não vou me estender nesse assunto, pois já tratei dele em outro post e você pode ler a respeito clicando aqui). Além disso, a autora buscou inspirações nos mais diversos lugares, desde os experimentos com galvanismos, até a mitologia grega, transformando seu cientista maluco no Prometeu Moderno (você pode entender um pouco mais essa relação clicando aqui).

Carol abraçada ao livro Frankenstein e olhando com cara de assustada por cima do ombro para o lado esquerdo da foto. Atrás dela, há a sombra de uma mão vinda pelo lado esquerdo da foto, como se estivesse tentando alcançá-la.

Frankenstein é o clássico que inaugura a Ficção Científica e que povoa a imaginação das pessoas e inspira fantasias de Halloween. Porém, sabemos que nem sempre as obras originais são tão conhecidas. Que tal mudarmos isso?

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