Resenha – Ponto Cardeal

Foi apenas em junho de 2018 que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a transexualidade da lista de doenças mentais. Os debates sérios sobre o tema ainda são escassos, a maioria ainda é discurso de ódio e nem entrarei nas estatísticas de violência contra a comunidade trans, que vocês podem encontrar em qualquer portal sério de notícias. Com a literatura não é diferente e são poucas as obras com personagens trans que não estejam ali apenas para ser uma sátira, uma caricatura, uma tragédia. Ou pelo menos eram.

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Cada vez mais, têm surgido livros, de ficção ou não, retratando pessoas trans, autores trans vem conquistando espaço (mais devagar do que seria o ideal) e eu… ainda não havia lido nada a respeito. Meu contato com o tema se resumia a alguns canais no YouTube, artigos on-line, ouvir falar de uma história longe de mim e só. Por isso, fiquei muito feliz quando chegou em minhas mãos no ano passado, através da minha assinatura da TAG Experiências Literárias, modalidade Curadoria, o exemplar de Ponto Cardeal, livro até então inédito no Brasil, escrito pela francesa Léonor de Récondo e já com edição linda pela Dublinense.

“Teu corpo está te dizendo alguma coisa”. Sim, mas o quê?

p. 21

Ponto Cardeal conta a história de Laurent (até então), que sentiu-se a vida toda incomodado com alguma coisa dentro dele que ele não sabia dizer o que era. Seguira todos os passos para uma vida feliz: casara-se e tinha uma relação de cumplicidade com a esposa, tivera dois filhos com quem se dava bem, o trabalho era respeitável. Mas algo não estava certo. Até que finalmente entende: Laurent se percebe como mulher!

Todo o livro se desenvolve nessa descoberta da protagonista sobre si mesma e todas as consequências: a revelação para a família, os conflitos na relação com a esposa, a incompreensão dos filhos, a zombaria, o preconceito, os olhares atravessados, o apoio, a solidariedade, a vida que vira de cabeça para baixo. Ao mesmo tempo que a história é fácil e rápida de ser lida, é bastante intensa, cheia dos desencontros típicos do ser humano.

Lendo a terminação de “sozinha”, Laurent chorara. Cynthia o tinha colocado em palavras.

p. 31

A obra não é perfeita e tem vários pontos que poderiam ser melhor trabalhados ou colocados de outra forma. Mas é uma ótima porta de entrada para tentar compreender um pouco mais o assunto e, principalmente, gerar empatia. A cada página, a cada palavra, eu não podia parar de pensar em como tudo seria mais fácil se pudéssemos apenas falar sobre assuntos como esse, se tivéssemos mais respeito e mais compreensão com as pessoas.

Além do livro, gostaria de indicar o episódio do podcast da TAG em que a obra é discutida por mulheres trans e que torna o debate mais rico, com a abordagem de diversos pontos em que se compara ficção e realidade.

Livro Ponto Cardeal, em edição do clube de assinaturas TAG, no canto inferior direito da imagem, mostrando apenas uma parte do livro, onde se lê o título. No canto superior direito, está a luva da edição, com desenhos de rosa dos ventos.

Ponto Cardeal é um livro que eu recomendo, com toda a certeza, mas que alerto para que não se restrinjam a esse título. A obra já está à venda pela Dublinense e você pode adquiri-la pelo site da editora ou através do meu link da Amazon.

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