Resenha – Alma na Casa Sozinha

Uma coisa é certa: eu preciso aprender a ler poesia mais devagar! Isso porque comecei a leitura de Alma na Casa Sozinha, de Felipe Gomes e que recebi em parceria com a Oasys Cultural, e praticamente devorei, precisando me forçar a deixar um pouco para depois e não terminar de uma vez. Por tratar de temas comuns da vida atual, os poemas têm a capacidade de envolver o leitor em uma familiaridade e uma estranheza que se complementam.

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Pode parecer inusitado que o livro seja contraditório e faça todo o sentido ao mesmo tempo, mas é exatamente isso o que acontece em Alma na Casa Sozinha. Os poemas possuem leveza tratando de assuntos profundos, procurando a introspecção em meio à vida urbana agitada.

questão

– onde está o amor?

– só ali dão.

E com a vida urbana por cenário, o autor entrega textos bastante contemporâneos, versando sobre possíveis relacionamentos, a solidão, o esbarrar no outro na rua, a observação das pessoas que passam. Seria impossível não se colocar no lugar do eu-lírico em diversas passagens, pelo simples fato de que já fomos nós ali, talvez até com pensamentos que coincidissem com o poema em questão.

avenida brasil

de noite

do ponto de ônibus

deserto e sinistro

do número 3.666

detrás das árvores

do portão esquerdo

vi uma alma apontada para mim

A musicalidade dos versos é inegável! Com uma fluidez perfeita, o autor consegue que nossos olhos passeiem pelas palavras, seus jogos e suas rimas de maneira agradável e que parece incrivelmente natural.

antero de quental

[…]

tem sempre um moço

bonito no metrô com quem

eu namoro, caso, sofro

depois o deixo e ele nunca

me esquece

chego cansado à estação

[…]

Alma na Casa Sozinha é aquele livro delicioso para se ler durante as tardes, arrancando alguns sorrisos e outros suspiros. Um primor!

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Um comentário em “Resenha – Alma na Casa Sozinha

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  1. Fiquei com muita vontade de ler depois desse texto. Dá pra sentir que é daqueles livros que pegam a gente pela mão e dizem “vem, isso aqui também é sobre você”, mesmo sem a gente perceber. Já coloquei na lista, porque poesia que soa familiar e estranha ao mesmo tempo costuma ser exatamente a que nos faz refletir.

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