Resenha – O Olho Mais Azul

Já fazia mais de um ano que eu havia recebido meu exemplar de O Olho Mais Azul pela TAG Experiências Literárias, mas foi só após receber o convite da Isa, do blog Percursos Literários, para participar da edição de maio do Clube do Curinga que me animei a lê-lo. Não porque não quisesse, mas porque pressentia algo muito forte naquele livro e me faltava a coragem para abri-lo. Minhas suspeitas se confirmaram e a experiência foi ainda mais difícil do que eu esperava. Dessa forma, peço desculpas adiantadas ao leitor e à leitora pela minha incapacidade de colocar em palavras a totalidade dos meus sentimentos sobre a obra e de expô-la como ela merece.

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A história se passa em Ohio, Estados Unidos, entre os anos de 1940 e 1941, com alguns retornos à década de 1930, para compreendermos melhor o passado de algumas personagens. A protagonista é Pecola, uma garotinha negra desprezada até mesmo por seus próprios pais, alvo de chacota na escola e nas ruas e considerada por todos, até por ela mesma, como extramente feia. Essa falta de pertencimento e essa solidão criam em Pecola uma obsessão em possuir olhos azuis, para ser amada e admirada por todos, olhos esses que simbolizam e condensam em si o ideal estético de toda uma sociedade, que carrega consigo as demais virtudes.

Adultos, meninas mais velhas, lojas, revistas, jornais, vitrines – o mundo todo concordava que uma boneca de olhos azuis, cabelo amarelo e pele rosada era o que toda menina mais almejava.

p. 30

A sucessão de tragédias da vida Pecola fica ainda mais angustiante por ser narrada por uma criança, que sofre as violências, mas ainda não as compreende em sua totalidade. Pior ainda, não é a protagonista que narra sua história, mas uma de suas amigas, ou o mais próximo que chegou a ter de uma. Porque Pecola está tão isolada, tão desprezada e tão maltratada que não consegue sequer achar sua própria voz, necessitando que um de seus pares fale por ela.

Pecola é a minoria das minorias: é pobre, negra, mulher, criança. Um símbolo de vulnerabilidade! Assim, a obra pode ser lida em diversas camadas, analisando relações de classe, racismo, machismo, negligência, violência doméstica e sexual, abuso de menores. Mas dificilmente o leitor e a leitora ficarão com raiva das personagens envolvidas na tragédia de Pecola, porque elas também são massacradas por um sistema, por uma sociedade, por uma norma imposta e que é obedecida cegamente, por um processo de desumanização.

O patrão dissera: “Vocês são feios”. Eles tinham olhado ao redor e não viram nada para contradizer a afirmação; na verdade, viram sua confirmação em cada cartaz de rua, cada filme, cada olhar.

p. 49

E a história fica muito mais dolorida quando vista e explicada pela perspectiva de uma criança. Tudo tem outro significado, outro peso, as prioridades são outras. As soluções encontradas pelas meninas ou as justificativas que elas encontram para coisas das quais elas deveriam estar protegidas são angustiantes, devastadoras!

Exemplar de O Olho Mais Azul, posicionado em cima da revista aberta que vem no kit da TAG. Acima da composição está o brinde do kit, uma mini ecobag para livros, e abaixo está o marcador de páginas personalizado da TAG.

O Olho Mais Azul é uma obra excelente e necessária, sem a menor dúvida, e que expõe aquilo que insistimos em esconder e disfarçar. Mas ela pode oferecer gatilhos, então, vá com calma. Prepare o lencinho, um chá de camomila, mas principalmente seu coração, para receber a vida de Pecola Breedlove em suas mãos.

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8 comentários em “Resenha – O Olho Mais Azul

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  1. Já tinha achado incrível a sua resenha no IG, porque sei o quanto é difícil falar o que quer que seja do livro, mas aqui no blog, ela me devolveu aquele aperto no coração que tive ao ler O Olho Mais Azul. Espero que mais pessoas leiam esse livro através da sua resenha!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Nossa o livro parece ser bem pesado, mais uma leitura quase que necessária né, até para gente entender ainda mais a sociedade e o quanto ela pode afetar nossas vidas.
    Me interessei bastante pela leitura, mais acho que vou esperar um pouco para ler, estar mais tranquila emocionalmente rs
    Beijos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ai Nathy, é bem forte mesmo! Acho uma ótima ideia a sua de aguardar um momento emocionalmente tranquilo para encarar essa leitura, porque ela desestabiliza mesmo! Não me lembro de ter lido algo tão forte e olha que eu andei lendo umas coisas pesadas…

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