Resenha – Codinome Villanelle

Livros bons podem gerar filmes e séries de sucesso, e logo chegam às lojas edições com o aviso na capa de que tal produção foi inspirada nessa obra. Mas e quando você é pego ou pega por essa chamada e o livro te decepciona? Foi exatamente o que aconteceu comigo ao ler Codinome Villanelle, que inspirou o seriado Killing Eve, editado no Brasil pelo selo Suma, pertencente à Companhia das Letras. (O livro foi adquirido em parceria com a editora, através da plataforma NetGalley. Papo Literário é parte do Time de Leitores 2020.)

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Villanelle é uma assassina de aluguel sem sentimentos que trabalha para um grupo misterioso, matando figurões internacionais. Um belo dia, seu caminho cruza com o de Eve, uma investigadora do serviço secreto britânico, que vê sua carreira ameaçada por Villanelle, e torna seu objetivo de vida caçá-la e trazê-la à justiça.

O que prometia ser uma trama com tom de mistério e suspense acabou parecendo um compilado de roteiros de filmes policiais dos anos 1980, mas com a tentativa frustrada de colocar em evidência personagens femininas fortes e poderosas. Frustada porque as caracterizações tanto de Villanelle quanto de Eve reforçam estereótipos bastante conhecidos em nossa sociedade machista e que temos tentado desmistificar.

Sem maquiagem e com o cabelo castanho amarrado em um coque frouxo, ela parece alguém para quem beleza não é prioridade.

Villanelle é uma assassina sem coração, deslumbrante, sedutora e que acalma toda a sua adrenalina com sexo, a típica mulher fora-da-lei que sempre foi vendido nos cinemas. A única coisa que se torna diferente dos padrões aqui é que a personagem se relaciona tanto com homens quanto com mulheres. Já a investigadora Eve lida com o clássico dilema “beleza X intelecto”, pois é descrita como muito inteligente, mas com péssimo senso de moda. Os “problemas” de Eve com a aparência são colocados a todo momento durante a narrativa, inclusive fazendo com que a personagem busque ajuda e aprovação de seus pares masculinos, que, aliás, nunca são julgados pelo seu modo de se vestir.

Teriam muitos outros aspectos de aparência e personalidade das personagens que eu acho problemáticos, mas gostaria de pular para outro assunto que me deixou extremamente incomodada: o excesso de sexo. Eu não estou querendo ser puritana, não é o fato de ter cenas de sexo em um livro que me incomoda. Mas a partir do momento em que as cenas “quentes” são muito mais exploradas, detalhadas e abundantes que as próprias cenas de ação em um livro que se supõe policial, acredito que temos um problema. Alguns dos palpites e das pistas conseguidos pelos agentes do serviço secreto parecem ter sido tirados do nada e tem-se a impressão de que tudo se resolve na boa e velha intuição.

E então chega o fim inevitável.

Com exceção das cenas de sexo, as demais são fracamente descritas. Em alguns momentos, tive a impressão de estar lendo um roteiro para filme ou série de TV, com informações de como deveriam ser feitas as cenas, ou em que lugar deveriam estar os objetos. Fico imaginando que isso pode ter ajudado a adaptar a obra para criar o aclamado seriado Killing Eve.

Ainda não assisti a adaptação, então nada posso dizer a respeito, embora tenha ficado curiosa em ver pelo menos alguns episódios para saber o que conseguiram fazer a partir do original. A obra, como vocês puderam perceber, não me cativou nem um pouco. Codinome Villanelle, ao menos, é um livro curto, o que me impediu de abandoná-lo.

Kindle com a capa do livro Codinome Villanelle, com uma sandália de salto alto vermelha à esquerda e uma faca à direita em um fundo preto.

Claro que as opiniões aqui expressas são pessoais e não representam uma verdade absoluta. Assim, muitos leitores podem apreciar a leitura desta obra, como vi em alguns comentários pelo Instagram, embora pareça que o apreço pelo livro esteja, de alguma forma, relacionada à boa experiência prévia com a série televisiva.

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3 comentários em “Resenha – Codinome Villanelle

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  1. Quando a “Companhia” disponibilizou esse livro eu dei uma pesquisada e vi que não iria me agradar. Não solicitei, preferi optar pelo livro Apátridas, que ainda não li. ☺☺

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