Resenha – As Amarras

Você já sentiu como se sua vida fosse definida pelos outros, sejam família, chefes, instituições religiosas, sociedade em geral? Já imaginou que sua vida e mesmo sua personalidade poderiam ser completamente diferentes se você pudesse fazer escolhas livremente, sem essa pressão em cima de você? É exatamente o que acontece com Eusébio, protagonista de As Amarras, livro de Jorge Sá Earp, editado pela 7 Letras e que recebi em parceria com a agência Oasys Cultural, a quem agradeço o carinho e a confiança de sempre!

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Eusébio vive uma vida que não escolheu. Filho de classe média alta do Rio de Janeiro, viu seu pai definir sua profissão e até lhe arranjar o emprego em uma instituição pública. E agora, por pressões dos pais e da sociedade para cumprir aquela receita de bolo que todos esperam de uma “pessoa de bem”, casa-se com sua amiga de infância, de quem gosta, mas nem tanto.

Desista, Eusébio Floresta, desista do teatro, da literatura: seu campo são as artes visuais. Aterre como esse avião está aterrissando na pista do Santos Dumont e que fará repousar as rodas agora ainda despedindo faíscas.

p. 76

Já na festa de casamento, Eusébio começa a aprontar algumas e se vê dando em cima do garçom do bufê. A vida de casado não se mostra muito melhor, e ele vai se enredando em situações cada vez mais complicadas, ao mesmo tempo em que vai se descobrindo, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Envolve-se com pessoas no teatro, apaixona-se por um ator e apronta tanto que chega a nos afligir só de pensar em como ele vai sair das próprias complicações.

Segundo o que o próprio texto de orelha diz, o livro tem uma pegada rodrigueana que não deixa o leitor e a leitora largarem o livro tão cedo! A linguagem fluida e a escrita gostosa, no entanto, não deixam o livro menos complexo. O autor toca em problemáticas muito atuais, como a não aceitação, ainda no século XXI, de uma sexualidade que não corresponda a heteronormatividade, o abismo entre ricos e pobres, o racismo, o enriquecimento ilícito na política, coisas que, infelizmente, nos são tão conhecidas.

Não precisa dizer que o encontro foi péssimo, eu num combate árduo com o Josué para impor o meu assunto, e ele aflito em conseguir o alvará de licença de ocupação do novo consultório.

p. 19

Ao mesmo tempo, o autor não idealiza nenhuma personagem. Todas são muito humanas, muito palpáveis, cheias de defeitos. Mesmo o protagonista se enrola em vários problemas que ele mesmo acaba criando com suas atitudes nada agradáveis.

Aliás, o fato de Eusébio fazer tanta canalhice e tomar decisões claramente erradas no decorrer da trama me fez questionar de onde veio esse impulso dele: seria sua personalidade nada agradável se manifestando ou seria um desvio, uma rota de fuga, causado justamente pela não aceitação de quem se é e a impossibilidade de viver de forma plena?

Livro As Amarras no centro da imagem, com uma faixa preta e um fio branco enrolados nele como se estivesse amarrado. O fundo é de palha.

As Amarras é uma obra que me surpreendeu positivamente! Muito bem construída, faz pensar sobre questões urgentes sem se tornar pretensioso. Um livro que promete (e cumpre) prender do início ao fim!

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