Resenha – O Jardim Secreto

Acredito que, como eu, muitos aqui assistiram diversas vezes, ao filme em que três crianças brincavam de dar vida a um jardim há muito abandonado pelos adultos de onde moravam. Confesso que já quase nem me recordava do enredo, quando fui convidada pelo Blog Mundo dos Livros para a leitura coletiva, em abril de 2020, do clássico que deu origem ao filme. E foi com grande prazer que mergulhei na história de O Jardim Secreto, escrito por Frances Hodgson Burnett, publicado pela primeira vez em 1911 e editado no Brasil pela Penguin Companhia, selo da Companhia das Letras (Papo Literário é parte do Time de Leitores 2020, mas esse livro não faz parte dos recebidos em parceria com a editora).

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Mary Lennox é uma menininha muito chata e mimada, sempre negligenciada por seus pais, que a deixaram a cargo das aias indianas. No período em que a história se passa, a Índia era parte do então Império Britânico e a família de Mary morava no país. Após um surto de cólera do qual se torna a única sobrevivente da casa, a menina é enviada para morar com seu tio em Yorkshire, na Inglaterra, onde vai descobrir, aos poucos, que o mundo não gira a seu redor e que é possível levar uma vida completamente diferente daquela que conhecia.

Não chorou porque sua aia tinha morrido. Não era uma criança afetuosa e nunca havia ligado muito para ninguém.

Em pouco tempo, passamos a conhecer também Colin Craven, o primo de Mary, com mais ou menos a mesma idade e exatamente a mesma personalidade. Aparentando uma saúde extremamente frágil, o menino teme por sua vida constantemente, tendo surtos frequentes que colocam todos na casa quase loucos. Por ser extremamente parecido com sua mãe, que morrera no parto, é evitado pelo pai, que não consegue sequer olhar em seus olhos. É apenas após o encontro inusitado de Colin com a prima que as coisas começam a melhorar para o garoto.

Juntos, os primos começam a cuidar do jardim há tantos anos abandonado e agora descoberto por Mary, que vira um segredo entre duas crianças. Com a ajuda de algumas personagens bondosas e meigas, as crianças, assim como o jardim, irão finalmente florescer.

Então lhe ocorreu que talvez o menino estivesse aprendendo a voar […]

Embora seja considerado um livro infantil, e de fato, sua linguagem é acessível o suficiente para que as crianças possam se aventurar em suas páginas sem problema algum, O Jardim Secreto encerra em si uma grande lição que os adultos conseguirão reter melhor. Não é difícil relacionar as imagens e os símbolos contidos na obra com o que está acontecendo com as personagens: a própria descoberta do Jardim, como a descoberta da própria infância; o reavivamento das plantas que acompanha o novo vigor e mesmo a nova aparência dos dois primos; entre tantos outros que não caberia em uma resenha. Os próprios textos de apoio dessa edição comentam longamente a respeito (aliás, fica a dica para que leiam a introdução APÓS a terminar o livro, eu fiz o contrário e levei spoiler).

A segunda parte do livro, no entanto, me desagradou um bocado. Entre outras coisas, que não citarei para não correr o risco de contar demais, Mary perde o protagonismo para Colin quando este aparece, se tornando uma personagem de suporte para ele, o que reafirma um posicionamento bastante machista que é percebido até mesmo em algumas falas no livro e que era predominante na sociedade em que a escritora vivia. Embora seja compreensível pelo contexto em que Frances Burnett estava inserida, não deixa de ser triste. Outro aspecto é que a obra parece não estar finalizada e isso me deixou bastante incomodada. Não só a mim, mas a todos que participaram do debate na Leitura Coletiva, até onde pude averiguar. O final muito aberto deixa a sensação de que uma parte do livro se perdeu ou que, talvez, a autora estivesse com pressa ou não soubesse como encerrar a história.

Kindle com a capa de O Jardim Secreto apoiado em uma pilha de livros, com uma boneca de pano da Mônica, personagem de Mauricio de Sousa, à direita, mais ao fundo. Há folhas secas espalhadas em frente ao Kindle.

Ainda assim, a obra é maravilhosa e eu, com toda a certeza, indico a todos os adultos que tem uma criança sob sua tutela ou que tenham a intenção de se tornar pais. Conseguimos ver nitidamente o comportamento de crianças que conhecemos e discursos que ouvimos e presenciamos ainda nos dias de hoje, mais de 100 anos depois e traçar paralelos, observando a diferença que o amor, o carinho, a liberdade e os limites fazem na vida de uma criança.

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4 comentários em “Resenha – O Jardim Secreto

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  1. Eu estou com esse livro aqui parado e ainda não consegui começar a leitura. Depois da sua resenha, me senti mais motivada a ler, apesar de estar com menos expectativa agora. Por isso é bom ler críticas sobre os livros… Gostei muito do seu texto!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Carol!

      Muito obrigada! Fico muito feliz em ter colaborado para te motivar a ler esse livro!

      Esse é um daqueles títulos que valem muito a pena. Mesmo que alguns detalhes deixem a desejar, o lado positivo é bem maior e compensa a leitura! Já me deu saudade, acho que logo pego O Jardim Secreto para uma releitura! ❤️

      Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

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