As origens do Natal

Então é Natal e as árvores já estão montadas, as luzes acesas e os presentes comprados. As famílias se preparam para a reunião (virtual esse ano, certo?) que, para os cristãos, celebra o nascimento de Jesus. E quem não é cristão, aproveita para estar com a família e fazer uma refeição diferente e especial.

Quando eu era criança, ficava me perguntando o porquê de o aniversário de Jesus ser no dia 25 de dezembro e não no dia 31, ou 1º de janeiro. Afinal, o calendário não é dividido em Antes e Depois de Cristo (A.C. e D.C.)? Como Jesus teria nascido… antes dele mesmo? E quando eu descobri que o calendário que usamos hoje foi proposto por um papa, eu fiquei mais confusa ainda.

Acontece que a maioria dos feriados cristãos são, na verdade, uma reinterpretação de festas não cristãs, de quando a Igreja Católica procurava cristianizar povos que tinham outras crenças. É uma técnica já bastante conhecida que o pessoal da Roma Antiga usava, tornando mais fácil e amigável a dominação dos povos através da absorção e ressignificação de suas culturas.

Mas vamos à História!

O solstício de inverno do Hemisfério Norte acontece, geralmente, no dia 21 de dezembro e marca o início da estação mais fria e desafiadora do ano. Assim, povos antigos, sem tecnologia como a nossa e que dependiam da caça e, principalmente, da colheita, faziam seus festivais e rituais para que suas divindades os ajudassem a suportar o período até a chegada da primavera, quando seria possível cultivar novamente a terra.

A festividade que provavelmente foi transformada em Natal é Yule, comemorada pelos povos germânicos, associada a Odin e à Caçada Selvagem (em que um grupo fantasmagórico e sobrenatural de caçadores passava pelos céus e era interpretado com presságio de catástrofes ou da morte iminente daquele que avistasse o grupo). Há também algumas semelhanças da festa com o culto dos celtas, para quem a data está associada ao nascimento do deus solar.

Yuletide era uma festa que durava aproximadamente 12 dias, estendendo-se até 1º de janeiro. Ao ser absorvida pela tradição cristã, o período passou ao nome Christmastide, mantendo a duração, mas, com a pequena alteração das datas, iniciando-se em 25 de dezembro e finalizando em 5 ou 6 de janeiro, no que ficou conhecido como Dia de Reis.

Além da data, alguns objetos e costumes foram “emprestados” e repaginados das antigas crenças, como a cantata de Natal. não tão comum no Brasil, mas que sabemos tradicionais em países de língua inglesa, em que corais vão de porta em porta ou permanecem em lugares específicos cantando músicas natalinas.

Pinheiro de Natal

Os povos dos países bálticos tinham por hábito cortar pinheiros, levá-los para casa e decorá-los. Depois, os povos germânicos começaram a fazer o mesmo, e passaram a colocar presentes para as crianças embaixo da árvore, que simbolizava o carvalho de Odin. Para os celtas, o pinheiro é associado à deusa, com as luzes e enfeites representando os espíritos a serem lembrados no período.

Conta-se que São Bonifácio tentou acabar com o costume das árvores sagradas na Turíngia, mas não teve sucesso. Então, ele resolveu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e as folhas que nunca caem à eternidade de Jesus. Pronto, surgia a árvore de Natal para a tradição cristã.

Under the Mistletoe (embaixo do visco)

Aqui no Brasil, não temos o hábito e muito menos as brincadeiras envolvendo o visco, a não ser pelas guirlandas que enfeitam nossas portas. Já pela Europa e nos países de língua inglesa, os apaixonados costumam se beijar embaixo de seus ramos, mantendo uma tradição romântica que nasceu como uma celebração a ressurreição de Baldur, uma divindade nórdica. Para os celtas, o inverno era a época ideal para colher os frutos do visco, e os druidas acreditavam que a planta possuía grande poder de cura e ajudava no acesso dos vivos ao mundo dos mortos.

Mas eu ouvi falar de uma tal Saturnália

O festival romano da Saturnália costuma ser também associado ao Natal, mais pelas datas do que pelos hábitos, já que a festa romana guarda muito mais semelhanças com o Carnaval do que com a Natividade. Porém, um dos hábitos romanos que permanece nos dias de hoje é a troca de presentes e o acendimento de velas para proteção. Ah! E o visco pendurado na porta.

E antes de me despedir, gostaria de ressaltar que todas essas informações e muitas outras associando os feriados cristãos a outras comemorações não diminuem a sua importância. Ao contrário, enriquece culturalmente e historicamente essas datas. Até porque, o real significado de qualquer data somos nós que definimos.

Feliz Natal!

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