A Caminho da Luz – Final da Idade Média

Oi gente! Tudo bem com vocês? No post anterior falamos um pouco sobre várias tentativas da espiritualidade de trazer a Igreja novamente à luz do Cristianismo primitivo. Hoje vamos ver os grandes desacertos empreendidos pela instituição religiosa e seus desdobramentos, que culminaram no final da Idade Média. (Adquira seu exemplar pela Amazon ou pela Livraria da Travessa)

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Cruzadas

Desde o início do Catolicismo, as paisagens da Palestina recebiam os peregrinos cristãos, que desejavam ver os caminhos que o Mestre percorreu. À época, dominavam na região os árabes de Bagdá e do Egito. Porém, quando os turcos conquistaram o território, os cristãos deixaram de ser permitidos naquelas terras e iniciou-se um período de grandes conflitos, que ficaram conhecidos como Cruzadas.

As Cruzadas eram também uma forma de peregrinação e penitência, que se tornou um movimento cada vez maior devido à crença de que o fim dos tempos estava próximo e participar dessas expedições seria uma boa forma de se evitar o inferno. No início, as expedições eram conhecidas apenas como “peregrinações” ou “guerras santas”, adquirindo o título de Cruzadas tempos depois, por seus cavaleiros carregarem a cruz em suas roupas.

A primeira dessas peregrinações aconteceu em 1096, liderada pelo monge Pedro, o Eremita, que com seu verbo inflamado conseguiu reunir uma multidão, partindo para a Terra Santa. Porém, tratava-se de gente do povo, comum, sem armas, proteção ou preparo. Saqueavam todos os lugares por onde passavam e foram dispersos em grande número pelos búlgaros, não chegando ao destino final. Essa Cruzada não é reconhecida oficialmente.

A Primeira Cruzada oficial, ou Cruzada dos Cavaleiros, conseguiu chegar à Terra Santa, bem equipada e organizada, com a ajuda do Império Bizantino, que desejava reaver as terras usurpadas pelos turcos. Os Cruzados conseguiram tomar Jerusalém e a maior parte da Terra Santa, porém não as devolveram ao Império Bizantino, que acabou por retirar seu apoio, o que resultou, mais tarde, na nova tomada de Jerusalém pelos “infiéis”.

Conta-nos Emmanuel, que o líder da Primeira Cruzada, Godofredo de Bouillon, recusou o título de Rei de Jerusalém, aceitando ser chamado de “defensor do Santo Sepulcro” após grande insistência, pois não se considerava digno de receber grande título, uma vez que o Mestre recebeu apenas a infâmia. Foi ele o fundador da Ordem dos Hospitalários, contemporânea da Ordem dos Templários, possuindo ambas as mesmas atribuições de proteção da Terra Santa.

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(Godofredo de Bouillon)

A Segunda Cruzada foi convocada com o objetivo de tentar tomar novamente parte das terras conquistadas na Primeira Cruzada, então perdidas para os turcos, que se reorganizaram e aproveitaram a retirada do Império Bizantino do cenário da guerra para reconquistar essas terras. Essa expedição foi um fiasco e Jerusalém termina por cair nas mãos de Saladino, 1º sultão do Egito.

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(Saladino)

Durante a Terceira Cruzada, houve o embate entre o rei inglês Ricardo Coração de Leão e o sultão Saladino, que resultou em um acordo, onde Jerusalém permaneceria sob a posse dos muçulmanos e os cristãos poderiam peregrinar livremente pelas terras, desde que não portassem armas.

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(Ricardo Coração de Leão)

Novas Cruzadas ocorreram, algumas com outras finalidades que não a Terra Santa, e assim, acabaram os cristãos por perder o direito a peregrinação por Jerusalém. Nas últimas Cruzadas, o rei francês Luís IX tentou ainda retomar a cidade e converter os povos que a estavam ocupando, mas acabou por desprender-se do mundo material devido a uma peste que assolou a região. A Terra Santa não voltaria ao poder da Igreja, assinalando o fracasso das expedições.

Luís IX

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(Luís IX)

Luís IX se tornou um personagem importante, não apenas por ter liderado uma das Cruzadas ou ter sido canonizado pela Igreja. São Luís foi, posteriormente, o mentor das reuniões mediúnicas que culminaram na codificação da Doutrina Espírita.

Embora seja trazido por Emmanuel como um rei de práticas cruéis e de selvageria, Luís IX procurava tratar a todos com justiça. Foi extremamente religioso e defendeu a Igreja de todas as formas, acabando por compactuar com as desordens religiosas da época por acreditar que estavam corretas. Aparentemente, não havia compaixão e bondade em seus atos, mas a justiça extremada. Àqueles que cometessem crimes, eram dadas as punições mais severas. Àqueles que agissem corretamente, eram dados benefícios.

Tribunal do Santo Ofício

Com o objetivo oficial de combater a heresia, nasce na França, no século XII, o Tribunal do Santo Ofício, também conhecido como Tribunal da Inquisição, ainda na forma de Inquisição episcopal, ou seja, descentralizada. Inicialmente, o Tribunal não condenava os supostos culpados diretamente à morte, mas infligia todos os tipos de martírios. Historiadores indicam que menos de 2% das condenações promovidas pelo Tribunal culminaram na morte dos condenados. As penas variavam de acordo com a gravidade dos supostos crimes, sendo utilizados os mais diversos tipos de tortura. A privação da liberdade só começou a ser utilizada como pena a partir do século XVIII, possivelmente porque foi quando ressurgiram os ideais de liberdade, ausentes na Idade Média.

Em 1233, consolida-se o Tribunal, quando o papa Gregório IX edita as bulas papais, marcando o início da Inquisição papal, agora mais sistematizada. A partir de 1250, os inquisidores passaram a ser escolhidos entre os membros da Ordem Dominical. Em uma das bulas, lê-se o seguinte trecho:

“Onde quer que os ocorra pregar estais facultados, se os pecadores persistem em defender a heresia apesar das advertências, a privá-los para sempre de seus benefícios espirituais e proceder contra eles e todos os outros, sem apelação, solicitando em caso necessário a ajuda das autoridades seculares e vencendo sua oposição, se isto for necessário, por meio de censuras eclesiásticas inapeláveis.”

Os Cavaleiros Templários foram exterminados pela Inquisição Medieval, no início do século XIV. Atualmente, fala-se da perseguição como sendo iniciada pelo então rei da França, Filipe IV. O rei passava por graves problemas financeiros na corte e, desejoso das riquezas adquiridas pelos cavaleiros, pressionou o papa Clemente V para que dissolvesse a Ordem e condenasse todos os membros pelo Tribunal do Santo Ofício. Suspeita-se que o rei teria assassinado os papas Bonifácio VII e Bento XI, anteriores a Clemente V, por não concordarem com os planos ambiciosos do rei.

Curiosidade: supõe-se que o personagem Gregório, do livro Libertação, André Luiz/Chico Xavier, seja o papa Gregório IX, pela descrição de seu modo de viver na Terra e pelos períodos de tempo apresentados na obra.

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(Gregório IX)

Francisco de Assis

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(Il Poverello)

Em meio aos horrores da Idade Média, nasce o espírito iluminado de Francisco de Assis, um dos grandes missionários responsáveis por reformar a Igreja, trazendo-a novamente às claridades dos ensinos cristãos. Filho de um rico comerciante, cresce cercado de conforto e vendo as disparidades sociais existentes na época, tendo muitos atritos com seu pai, até o momento em que abandona seu conforto para viver sua missão.

No livro Francisco de Assis, do espírito Miramez, narra o autor a vida do apóstolo João Evangelista e seu reencarne como Francisco de Assis, bem como toda a sua trajetória. Este livro contradiz a teoria vigente que Francisco teria tido uma juventude rebelde e mundana, mostrando um jovem em busca de sua vocação, tentando entender a missão que deveria cumprir na Terra.

Acreditando ser esse o seu chamado, alistou-se como soldado nas Cruzadas. Porém, não era seu objetivo o de matar seus irmãos e surge a intervenção divina. Francisco é preso por um ano, antes que pudesse entrar em uma batalha. Quando é libertado, cai doente e não consegue voltar ao exército. Após se recuperar, começa a ouvir vozes pedindo que reconstruísse a Igreja. Imaginando tratar-se da igrejinha de sua comunidade, que se encontrava em ruínas, começa uma campanha para a sua reforma, empregando boa parte de seus recursos financeiros.

É então que seu atrito com o pai fica maior, pois este não compreendia a missão do filho, acreditando que ele apenas gastaria toda a fortuna da família em coisas que cria serem inúteis. Francisco acaba por abrir mão da fortuna do pai, culminando no acontecimento famoso em que até mesmo despe-se, devolvendo suas roupas, e saindo para sua peregrinação, ainda nu. Foi quando alguns camponeses, comovidos com o ato, oferecem-lhe uma roupa feita de sacos, que viria a ser o tipo de veste que o serviria e aos seus seguidores daí em diante.

Em um próximo momento, falaremos melhor sobre a história desse missionário, quando for resenha a respeito do livro citado. Mas, é importante ressaltar o que Emmanuel nos diz, no livro A Caminho da Luz, que Francisco trouxe a lição da pobreza, do desapego aos bens materiais e do amor ao próximo, incluindo os animais, dos quais ele é o patrono, pela Igreja, que demorou a reconhecer a Ordem, que pregava o contrário do que vinha sendo praticado na Instituição.

Francisco de Assis foi canonizado menos de 2 anos após seu falecimento, pelo papa Gregório IX, consistindo em uma das canonizações mais rápidas da Igreja Católica.

Fim da Idade Média

Apesar das Cruzadas terem sido um fracasso em seus verdadeiros objetivos, foi a partir das peregrinações que o comércio e o intercâmbio com outros povos se tornou possível. Surgiu a burguesia, comerciantes sem títulos de nobreza, e o pensamento começou a mudar com relação cultura vigente.

Os reinos estavam cada vez mais consolidados, diminuindo o poder dos senhores feudais e centralizando novamente o poder nas mãos dos reis. Porém, os meios para a instrução eram escassos, não permitindo a existência de uma intelectualidade mais avançada, pois que não era do interessa da Igreja que o ensino fosse aberto a todos e os conhecimentos científicos e filosóficos saíssem da tutela da Teologia.

Começam, então, a surgir as universidades, a princípio sob domínio da Igreja, mas que vão se tornando cada vez mais independentes da religião. As nações futuras começam a se formar e organizar. Em meio a diversas guerras nacionalistas, entre elas a Guerra dos Cem Anos – com atuação de Joana d’Arc –, e ataques de povos não cristãos, termina a Idade Média, com marco na Queda de Constantinopla, em 1453, que permanece para sempre em poder dos turcos, hoje conhecida como Istambul.

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(Istambul)

No próximo post vamos viajar pela incrível época da Renascença… Deixe seu comentário sobre esse período instigante que foi a Idade Média, quero saber sua opinião!

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Até a próxima!

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2 comentários em “A Caminho da Luz – Final da Idade Média

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  1. Como sempre, informação de ótima qualidade! E com as pitadas de espiritualidade 😉

    Embora não tenha relação direta com o post, recomendo as demais, que tiverem interesse, uma busca sobre as motivações e a conspiração de Filipe, o Belo, para o extermínio da Ordem dos Templários. E claro, saber mais sobre essa ordem que nasceu com um belo propósito, mas, como muitas outras, se desvirtuou.

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