Nada – TAG Novembro de 2018

Oi pessoal! tudo bem com vocês? Hoje quero apresentar a vocês o primeiro livro que eu recebi da TAG: o livro Nada, de Carmen Laforet, publicado pela primeira vez em 1944. A edição exclusiva da TAG conta com 279 páginas e editado pela Alfaguara.

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A TAG é um clube de assinaturas desenvolvido especialmente para amantes da literatura. Todos os meses, o assinante recebe um livro surpresa em um kit especialmente pensado para combinar com a leitura do mês. O plano Curadoria sempre envia uma obra aos leitores indicada por um curador, sempre um intelectual, trazendo maior significado ao livro. Saiba mais no link: TAG Curadoria.

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O plano Inéditos sempre envia uma obra ainda inédita no Brasil, traduzida exclusivamente para os assinantes, um best-seller internacional. Saiba mais no link: TAG Inéditos.

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Kit do mês de novembro:

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A curadora do livro de novembro é Alice Sant’Anna, uma jovem poeta, autora e editora, autora de Dobradura, seu livro de estreia, quando tinha apenas 20 anos de idade. Uma mulher indicando outra mulher tem um significado muito grande, ainda mais tratando-se de uma obra que conta a intimidade e os percalços de uma jovem em uma época e sociedade que lhes não eram favoráveis.

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A história incia-se com a jovem Andrea chegando a Barcelona, à noite, para morar com sua avó e tios, na intenção de cursar a universidade. O momento histórico é o pós-Guerra Civil Espanhola, durante a ditadura de Francisco Franco. Chegando à casa na rua Aribau, a protagonista descobre um ambiente decadente e cheio de conflitos familiares, muitas vezes beirando o absurdo, algo muito diferente do que suas memórias de infância lhe mostravam. Durante um ano, o leitor segue os passos de Andrea, em meio às tempestades internas e externas, os conflitos com a família, com os amigos, consigo mesma. O que ser? O que não ser? O que fazer? Onde se encaixar? O que repudiar? O que abraçar? Para onde ir? Ou será que deveria ficar?

A trama é bastante envolvente e a cada momento nos percebemos em análise da própria vida, da própria família, das nossas relações sociais, da nossa juventude. A autora utiliza-se bastante da sinestesia para fazer suas descrições, misturando paisagens, aromas, sentimentos e cores para dar ao leitor a sensação do que está acontecendo no texto. Mais do que uma obra para refletir, essa é uma obra para sentir.

Os personagens de Nada tem personalidades bastante marcantes e definidas, o que torna o romance ainda mais intenso. Andrea é uma jovem típica, rebelde, com desejos de grandeza, sair da situação de pobreza em que se encontra; a avó de Andrea é uma mãe permissiva, que fecha os olhos para os erros de seus filhos, sempre justificando seus atos, mas que também tem um bom coração; um tio solteirão, manipulador e bastante sádico, ao meu ver, que gera certo fascínio sobre as pessoas que convivem com ele; um tio com prováveis distúrbios e que se mostra bastante explosivo, agressivo e abusivo em seu relacionamento com a esposa; a esposa, que parece uma boneca, bastante narcisista e ingênua; a tia extremamente conservadora, que espera que Andrea cumpra seu papel de “boa moça”; a empregada, um tanto sádica, divertindo-se com os problemas enfrentados pela família; a amiga e sua família, representando um ideal a ser atingido para Andrea; os amigos ricos de Andrea, que, apesar da condição financeira, tendem a agir como se pertencessem a outra classe social.

Andrea sente-se deslocada em seu meio familiar, como se não pertencesse àquele ambiente de pobreza e loucura, almejando fazer parte da realidade da qual vem seus amigos. Tanto é que a protagonista faz de tudo para que seus dois mundos não se conectem, mantendo sua família e sua situação de miséria em sigilo o máximo que pode.

As personagens nos mostra o que era ser uma mulher na Barcelona de Franco. Uma mulher não poderia andar sozinha pelas ruas, sorrir para as pessoas. Caminhar pelas Ramblas ou pelo bairro chinês então, nem pensar! Má fama apenas por passar brevemente por ali. A família valoriza apenas os filhos homens e tudo o que uma mulher pode almejar de melhor em sua vida é um bom casamento. O homem bater em sua esposa não o torna menos digno. Esses temas aparecem de forma secundária na obra, mas ainda assim são presentes o suficiente para traçar um perfil da sociedade da época.

A obra utiliza-se do Tremendismo, técnica literária narrativa desenvolvida principalmente nos anos 1940, que apresenta a vida de forma mais crua. Apresenta situações violentas de forma recorrente, personagens marginalizados, cheios de defeitos, alguns até de forma exagerada e uma linguagem mais forte e dura. Foi uma forma encontrada pelos autores espanhóis de tratar a realidade no pós-Guerra Civil sem serem censurados, pois apresentavam aspectos cotidianos sem menção direta ao regime vigente, embora mostrando a dureza da vida e a miséria a que muitos foram lançados durante o período.

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(algumas informações foram retiradas da revista distribuída pela TAG no kit)

O romance parece representar, de certa forma, a vida da própria autora. Conta-se que, após a publicação de seu livro, Carmen Laforet recebeu algumas falas nada agradáveis de familiares, alegando que ela difamara a família. Após seu casamento, a autora teve muita dificuldade em continuar sua carreira, pois seu meu marido a observava em cada passo, vigiando suas produções, o que provocou certo bloqueio criativo.

Apesar dos dissabores, sua obra atingir elevado patamar na literatura de língua espanhola. Venceu a primeira edição do Prêmio Nadal, em 1944, e é considerada uma das 50 maiores obras em língua espanhola do século XX pelo jornal El País, ocupando o 4º lugar.

Existe um site onde é possível ver os lugares citados na obra. É uma página em espanhol e está disponível em: Tras los pasos de Andrea

O mimo

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Além de ser a curadora do livro, Alice Sant’Anna também reuniu uma coletânea de poemas e imagens de autoras atuais, todas mulheres, com temas como decadência, inadequação, viagem, solidão, temas presentes no livro do mês, de forma a ser uma extensão da obra, trazendo para a atualidade e para a realidade de outras pessoas aquele sentimento da personagem. Assim surgiu o primeiro livro próprio da TAG, editado com exclusividade para os assinantes e com um acabamento com cara de inacabado, para combinar com a atmosfera da trama e dos poemas e imagens.

Deixo a vocês um dos poemas do livro, como um gostinho:

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Assinar a TAG Curadoria está se mostrando um belo investimento! Venha também fazer parte desse clube! Assine: TAG Curadoria e TAG Inéditos.

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Boas leituras!

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