A Menina Que Roubava Livros

Hoje estou aqui para falar de um livro que marcou demais a minha vida, com certeza um dos melhores que já li: A Menina Que Roubava Livros, de Markus Suzak, com tradução de Vera Ribeiro, publicado pela editora Intrínseca em 2007, contando com 480 páginas em sua primeira edição. (Você pode adquirir seu exemplar pelo link: Amazon ou Livraria da Travessa)

sam_6572
Adquira A Menina que Roubava Livros

Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.

A primeira surpresa para o leitor é o narrador inusitado: quem conta a história é a Morte, representada como um ser que apenas cumpre o seu trabalho solitário, sem trazer sensações de medo ou receio, típicas de enredos onde a figura aparece. Poderia mesmo se dizer que a Morte é mais humana que muitos humanos presentes na história, de forma direta ou indireta. A Morte tem o hábito de reparar nas cores do dia em que as pessoas morrem e, durante o livro, cita três cores com seus respectivos significados: o branco, o vermelho e o preto. Embora não seja citado na obra e as descrições das cores direcionem o leitor para sentimentos humanos, não consigo não pensar numa associação entre essas cores e a bandeira do nazismo. Afinal, a história se passa na Alemanha, em plena Segunda Guerra Mundial.

A Morte se dispõe a contar a história de Liesel Meminger, uma menina então com 9 anos que conseguiu escapar de suas garras por três vezes. A primeira delas, quando seu irmão mais novo morre dentro do trem que os levava para uma casa onde um casal iria adotá-los. Sua mãe, considerada comunista, achara melhor que eles estivessem em algum lugar longe dela naquele ambiente hostil de 1939. É também nesse momento que Liesel rouba seu primeiro livro: o Manual do Coveiro, caído do bolso daquele que foi o responsável pelo sepultamento de seu irmãozinho.

sam_6573

Liesel chega no lar adotivo e precisa se adaptar a nova família, com um pai extremamente amoroso e compreensivo e uma mãe brava, mas preocupada e, como ficamos sabendo no decorrer da história, com um coração muito grande. O casal, com os filhos já adultos e morando em outros lugares, receberia uma pensão do governo pela criação da menina e de seu irmãozinho, que não chegou ao destino. O pai adotivo, percebendo que a menina tinha muitos pesadelos e também que não sabia ler, apesar do fascínio pelos livros, inicia aulas de alfabetização durante as madrugadas no porão de casa, pintando as paredes e permitindo que a menina escrevesse nelas.

Nesse novo ambiente, Liesel convive com seu amigo de “cabelos cor de limão”, por quem tem um afeto que ultrapassa a simples amizade, mas que permanece ingênua. O menino é motivo de zombaria entre as crianças do bairro e da escola, pois teria se pintado com carvão uma vez, fingindo ser Jesse Owens, um atleta negro que teria vencido um campeonato em solo alemão algum tempo antes. O menino não conseguia entender como poderia ser um problema tão grande ele brincar de ser Jesse Owens.

A vida da nova família de Liesel se complica quando um jovem judeu passa a se abrigar na casa, filho de um amigo do pai adotivo da menina que teria lhe salvado a vida durante a Primeira Guerra Mundial. O rapaz passa a fazer o papel de um irmão mais velho para Liesel, com quem desenvolve fortes laços de amizade e para quem escreve dois livros.

sam_6575

Em muitos momentos, a inocência e a tensão da guerra se misturam e, permeando a história, a paixão de Liesel pelos livros e seus furtos. O ambiente que a menina passa a habitar está supostamente longe da guerra, e é possível ter uma noção de como o cotidiano das pessoas foi afetado pelos conflitos e pelas ideologias vigentes. Vemos jovens obrigados a se alistarem na Juventude Hitlerista, adultos afiliando-se ao partido nazista apenas para poderem ter seus trabalhos e seu sustento assegurados, mesmo não compactuando com as ideias do governo, a perseguição das minorias e o dilema enfrentado por aqueles que tinham um bom coração, a infância roubada, a fome, a miséria, os bombardeios às cidades, o medo de ter os homens da casa convocados para a guerra, mesmo os muito jovens, a dor de não vê-los voltar. Apesar de se tratar de ficção, ficamos pensando quantas pessoas não terão passado por situações semelhantes e quanta dor esse período trouxe!

sam_6574

O livro é muito bem escrito e o autor brinca com as palavras de uma forma quase poética, envolvendo o leitor em casa linha. Além de suas pesquisas sobre o conflito, conta-se que Markus Zusak inspirou-se também em familiares que viveram situações difíceis no mesmo período em que a história se passa, o que o torna ainda mais emocionante. A obra permanece um best-seller mundial, mesmo tendo sido lançado há mais de 10 anos. A história recebeu uma adaptação para o cinema, a qual foi bastante criticada, tanto por cinéfilos quanto pelos fãs do livro, mas eu confesso que foi uma das poucas adaptações de livros que eu realmente gostei, me fazendo chorar desde a abertura com a tela toda branca da neve até os créditos finais (embora não tenha apreciado muito a Morte aparecer com voz masculina, já que sempre pensei nela como uma figura feminina!)

the-book-thief-film-images-8780c78f-94a0-4bc3-a95b-85a36599c82

Esse obra é muito significativa em minha vida. Ganhei o livro de presente de Natal dos meus pais quando ainda estava no Ensino Médio, uma época bastante difícil para mim. Foi o primeiro livro que me fez chorar. Lembro-me de estar lendo a altas horas da noite no meu quarto e minha mãe entrar e se assustar, perguntando o motivo de eu estar chorando. Acontece que eu estava quase acabando o livro. Um livro que eu não queria que acabasse, de tão maravilhoso! Também me lembro de emprestar o volume para a minha então professora de português e, ao devolvê-lo, ela me disse que era um livro que nos deixava triste por sabermos que demoraríamos encontrar outro tão bom quanto. Também me lembro (e prometo que será a última memória narrada neste texto) de ter convencido o diretor e também professor e dono da escola a adquirir um exemplar para a biblioteca, quando ele começou a me chamar por Liesel ou Roubadora de Livros, o que se tornou uma honra para mim!

Foi uma obra que me marcou muito, tanto pelo enredo quanto pelo momento que eu mesma estava vivendo. E, assim como marcou a minha vida, tenho certeza que poderá marcar a sua também!

Adquira A Menina que Roubava Livros

Boas leituras!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: