Resenha – Aldeia dos Mortos

Todos nós já tivemos vontade de voltar no tempo e mudar alguma coisa, sejam nossas próprias atitudes, sejam fatos históricos, seja algum detalhe da vida de alguém que amamos. Mesmo sabendo da impossibilidade de tal coisa, insistimos no sonho. Mas será mesmo impossível? Em Aldeia dos Mortos, editado pela Patuá, a escritora brasileira Adriana Vieira Lomar vai explorar essa ânsia por alterar os acontecimentos com sua narradora nada convencional. O exemplar foi recebido em parceria com a agência literária Oasys Cultural, a quem agradeço a confiança e o reconhecimento do meu trabalho.

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Logo de cara, já sabemos que a história será contada por um feto. Vamos conhecendo a família e o ambiente em que a narradora se desenvolve a partir de suas perspectivas, ou seja, as descrições são subjetivas e raramente tratam do aspecto visual, já que não é possível visualizar nada de dentro de um útero. Um dia, o pequeno feto recebe uma notícia chocante através dos sentidos de sua mãe e sente um desejo imenso de voltar no tempo e fazer algo para alterar o curso da história. É então que começa a ter sonhos estranhos com sua família em um passado em que ela ainda não existia, sonhos esses que vão ficando cada vez mais reais e dão o tom misterioso e, diria até sinistro, do livro.

Não tenho medo de morrer. A incompletude me rege. Quando se assume esse estado, nada é tão assustador.

p. 75

Por ser narrado por um feto, a estruturação da história é bastante fragmentada no início, insinuando que acompanha o desenvolvimento do novo ser humano. Talvez por isso o início do livro pareça ser um pouco arrastado, o que se modifica conforme a trama se desenvolve, principalmente após o início dos sonhos da protagonista.

A autora alterna passado e presente de forma bem interessante, com muito mais presente no início, aumentando a proporção de passado no transcorrer da narrativa, o que deixa o leitor bastante curioso para saber o que vai acontecer nos próximos capítulos.

A esperança toca a campainha. Lia vai atender, não vê ninguém. A esperança voa para o outro lado da rua.

P. 101

A história se passa no período da Ditadura Militar no Brasil, mas essas dicas são dadas de forma sutil ao leitor, ficando mais claro nas últimas páginas, conforme os acontecimentos vão escalonando. Não sei se foi intencional, mas confesso que senti falta de alguns dados que deixassem claro o contexto histórico um pouco antes, já que saber em que momento a narrativa se passa acaba se mostrando importante.

Não são poucas as tragédias nesse livro, como o próprio título sugere. Algumas estão explícitas, outras são insinuadas, outras ainda são feitas de silêncio. Muitas podem até ser justificadas ou encaradas de outras formas, outras, porém, serão tomadas como imperdoáveis.

Livro Aldeia dos Mortos ao centro, com um relógio de bolso aberto à esquerda e uma parte de uma xícara acima de um pires à direita.

As personagens do livro tem personalidades bem definidas, mas gostaria de destacar uma: Matias, o gato, que eu achei uma ótima homenagem, já que mostra o animal fiel, amável e bem longe dos estereótipos malignos que se habituou a representar os felinos. Como boa gateira que sou, apreciei muito essa caracterização do animal.

Aldeia dos Mortos não é um livro pesado, embora tenha algumas passagens mais fortes, e pode ser uma boa pedida, caso você goste de histórias misteriosas, cheias de tragédias e com temas fora do habitual. A autora deixou uma playlist no Spotify com algumas músicas da época em que a narrativa se passa, vale a pena conferir!

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