Resenha – Corpos Secos

Histórias de apocalipse zumbi existem várias, mas eu nunca tinha me interessado muito em ler, ou assistir, nada que tivesse os mortos-vivos como tema principal ou mesmo pano de fundo. Até que vi ser lançado, nesse ano, pelo selo Alfaguara (Grupo Companhia das Letras), o livro Corpos Secos, escrito a 8 mãos, por Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado. Corri para garantir meu exemplar, que peguei através da plataforma NetGalley, em parceria com a editora (Papo Literário integra o Time de Leitores 2020).

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Em um Brasil de um futuro não muito distante, algumas pessoas passaram a sofrer de um mal muito estranho que as consumia em pouco tempo e as transformava em zumbis. Ganharam o nome de corpos secos, ou sequinhos, já que o brasileiro não tem limites nem em uma distopia. E nesse desespero apocalíptico, passamos a acompanhar quatro núcleos, representados por: Mateus, o cara que foi contaminado, mas não desenvolveu a condição, tornando-o foco de uma pesquisa médica; Murilo, irmão de Mateus, que, no entanto, está bem longe do irmão; Constância e Conrado, os gêmeos; e Regina, a madame.

“Já estamos todos mortos, agora é só continuar andando para ver até aonde chegamos.”

Acompanhar o desenvolvimento das jornadas de cada um é angustiante. As comunicações estão cortadas, o Governo praticamente não existe mais e a única mensagem veiculada, nos raros momentos em que se capta uma onda de rádio, é que todos devem ir para as ilhas brasileiras, e todas as nossas personagens estão se dirigindo a Florianópolis. No caminho, eles vão experienciando perdas, amadurecimento, choques de realidade, o saber-se importante ou desimportante, capaz de fazer muito ou incapaz de agir.

Ter tantas vozes e tantas perspectivas na mesma história deixou tudo muito mais interessante. Fiquei confusa, confesso, com as passagens narradas por Murilo, a criança entre os protagonistas, pela forma como sua cabecinha funcionava, mas também chorei um bocado com o que ele passou. Revoltei-me e vibrei com a história de Regina (o que foi aquele final?) e com seu desenvolvimento como personagem. Chorei demais com Constância e Conrado e (gente!) como admirei esses dois! E Mateus que me desculpe, mas as mulheres que o acompanharam é que brilharam de verdade para mim!

“Gente é uma peste, minha filha, uma peste que Deus fez e isolou aqui na Terra pra não se alastrar pro universo.”

Para aqueles que estão mais habituados à ficção científica e mesmo ao terror, podem pegar muito mais referências do que eu, pois percebi que o livro está cheio delas, embora eu não conseguisse identificá-las, por falta de bagagem minha nesses gêneros. Ainda assim, consegui fazer uma correlação com a famosa série (de quadrinhos e televisiva) The Walking Dead, que meu marido assistiu e eu acabei vendo um episódio ou outro: o maior problema, talvez, não sejam os zumbis, mas as pessoas vivas mesmo, o que nos faz questionar quem são realmente os monstros da história.

Mas, algo que eu consegui sim pescar, foram algumas referências geográficas e culturais, que é uma das vantagens de um livro nacional. As andanças de nossas personagens se dá pelas estradas e cidades brasileiras. Então, quem conhece um pouquinho da nossa geografia vai se divertir analisando as regiões por onde eles passam. Isso foi ressaltado pelo meu cunhado quando conversamos, (ele leu o livro por indicação minha – momento fofura!), que disse conhecer bem algumas das regiões citadas no livro.

Kindle com a capa do livro Corpos Secos, apoiado em uma mochila preta, que está na lateral esquerda da imagem. Há uma mão caída ao lado do kindle, na parte direita da imagem. O fundo é composto de tecidos preto, na parte superior, e branco, na parte inferior.

Outra coisa que meu cunhado e meu marido comentaram (e aqui eu realmente não poderia opinar muito, por falta de experiência no assunto) é que o livro inova em vários aspectos, fugindo dos clichês de zumbis, como a forma que eles contaminam as pessoas, que eu não vou contar para vocês, para deixá-los curiosos…

Se você estava procurando uma distopia, um apocalipse zumbi, acabou de achar! Corpos Secos é sensacional e mesmo quem não curte muito zumbis, como eu, vai gostar dessa história! Esse apocalipse é nacional, é nosso!

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