Resenha – Mônica Vai Jantar

Imagine que seu companheiro ou companheira chega em casa em completo desalinho e com muitos machucados pelo corpo. Ele ou ela te confessa que acabou de apanhar de pessoas na rua por estar agindo de forma obscena. E agora, você precisa colocar toda a informação no bolso e se arrumar para o jantar de fim de ano da empresa em que trabalha e fingir que está tudo bem. É exatamente esse o clima que você encontra no intrigante livro de Davi Boaventura, Mônica Vai Jantar, publicado pela Não Editora, selo da Dublinense e que li em uma tacada só.

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O livro começa com Mônica se arrumando para o tal jantar, após ter recebido a notícia fatídica de seu namorado / marido. Em uma escrita em terceira pessoa, sem pausa ou pontuação, vamos acompanhando os dilemas experienciados pela protagonista, com seus pensamentos em um vai-e-vem entre os acontecimentos passados e futuros, relacionamentos e questões íntimas, enquanto a vida externa à sua mente, em especial, o relógio, exige alguma ação.

[…] porque a vida dela hoje sumiu e ela também sumiu e por ter sumido ela não enxerga mais sentido nenhum em expectativas ou desejos ou brincadeiras […]

A forma como a narrativa é escrita, num fluxo contínuo, sem pausas, é perfeita para entrar na atmosfera angustiante da trama e prender o leitor e a leitora do início ao fim. Além disso, consegue traduzir muito bem a forma como a mente humana trabalha, especialmente em momentos de crise, como o que Mônica vive, sem que se disponha de um momento para organizar as ideias e decidir o que fazer, pois as obrigações exigem atenção e presença em outras instâncias.

E, nesses círculos que os pensamentos de Mônica formam, indo bem longe, ligando um assunto ao outro para, mais tarde, voltar ao que desencadeou seus tormentos, apenas para criar uma nova longa teia de lembranças e inquirições, vamos descobrindo que os problemas da protagonista vão muito além daquele fato narrado há pouco por seu companheiro.

[…] mal tendo completado vinte e nove anos ela se perde sem cor e sem fôlego até se assumindo responsável pelos erros dos outros […]

Descobrimos, em Mônica, uma mulher chegando aos 30 anos, que se vê frustrada em muitos aspectos de sua vida, com tantas dúvidas, com relacionamentos conturbados e se acreditando tão menos do que poderia ser. E quem de nós poderia julgá-la?

Ao iniciar a leitura, pelo contexto da história, acreditei que teria sentimentos de revolta, de raiva e muita angustia, por conta dos atos do marido / namorado de Mônica. Mas tudo o que consegui sentir foi um enorme carinho e vontade de abraçar essa mulher que, em muitos aspectos, representou o que eu sinto ou já senti um dia, ainda que em circunstâncias diversas.

[…] e ela assim segue cambaleante por todos aqueles degraus à beira de um desespero […]

Mônica Vai Jantar foi um livro muito difícil de definir, mas que acredito seja um de seus papeis causar essa introspecção, esse questionamento. Uma obra a ser lida por todos e todas. É curtinho, menos de 100 páginas, e traz tanto sentimento!

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