Resenha – Vamos Comprar um Poeta

Há quem diga que apenas os cursos de exatas e biológicas são úteis para a sociedade e queira retirar o financiamento dos cursos de humanas. Há quem diga que arte é um hobby e que as pessoas precisam de um “emprego de verdade”. Temos até memes para quem quer “viver da sua arte”. Mas você já imaginou como seria viver em um mundo em que todos vivessem para as coisas “úteis”? Não precisa imaginar. Afonso Cruz nos dá um pequeno vislumbre de como seria esse mundo em Vamos Comprar um Poeta, editado no Brasil pela Dublinense. (Livro lido em parceria com a editora.)

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Nessa obra, acompanhamos a rotina de uma família em uma sociedade onde tudo é minuciosamente calculado, até mesmo a quantidade de saliva gasta em um beijo rotineiro de despedida. Tudo tem patrocínio de alguma marca, da toalha de mesa às escadas da casa e até mesmo os nomes das pessoas não são nomes, mas códigos alfanuméricos.

Um dia, a filha dessa família decide que quer um poeta e descobrimos que os artistas são vendidos em lojas, como cachorrinhos de pet shop. Aliás, as semelhanças entre o tratamento dos artistas e de animais domésticos é impressionante! Porém, pouco a pouco o poeta começa uma revolução não intencional na vida dessas pessoas, e (por que não?) também nas nossas.

Estou apaixonado, disse.

Quanto?, perguntei.

Setenta por cento.

Uau!

Desta vez é sério.

Durante toda a leitura, fiquei pensando no quanto seria maravilhoso se abandonássemos o capitalismo e pudéssemos viver de amor, de poesia e do que nos faz bem. Ao contrapor um estilo de vida completamente desprovido de arte e um ser essencialmente artístico, é como se o autor nos mostrasse o quanto é absurda a ideia de viver para o dinheiro e o “progresso” da sociedade e nos esquecer das belezas e emoções que nos cercam. E não é isso o que fazemos muitas vezes?

Não há como dissociarmos o ser humano da arte, ela é essencial para nossas vidas. Aliás, a arte tem o poder de mudá-las! Quantas vezes um poema, uma música, um quadro era tudo o que precisávamos em um momento difícil ou a única possibilidade de expressão da felicidade!

Fazem muita porcaria, disse a mãe.

Os cônjuges?

Os escultores.

Já dizia Oscar Wilde que “toda arte é completamente inútil” e justamente por isso ela é tão valiosa! Porém, devo discordar levemente do grande escritor: a utilidade da arte é ser o combustível de nossas vidas!

Vamos Comprar um Poeta, tão pequeno em extensão, se mostrou muito grande em significado! De tão envolvente, assusta quando chegamos em sua última página, com aquele gosto de quero mais. Como em uma montanha-russa, em que o carrinho pára, mas queremos continuar nela por mais tempo.

Há poemas que servem para ver o mar.

Finalmente, devo deixar o alerta ao leitor e à leitora: deixem um caderninho e uma caneta por perto ou sentirão uma grande vontade de rabiscar as paredes.

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