Resenha – A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

É possível que você já tenha se perguntado algumas vezes como estaria sua vida se suas escolhas tivessem sido outras. Talvez, você já tenha olhado para uma pessoa e imaginado que ela poderia ter usado seus talentos de outra forma e construído uma carreira de sucesso. Essa é a sensação que permeia toda a leitura de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, editado pela Companhia das Letras e que consumi na forma de audiobook.

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Eurídice é uma mulher inteligente e talentosa que, como a maioria das mulheres da década de 1940, tem por universo unicamente sua casa e sua família, se encaixando no papel da esposa típica de uma sociedade machista e patriarcal. Seu marido a olha sempre de cima, acusando-a de não ter se casado “pura” por não ter sangrado na noite de núpcias, e conservando-a submissa à sua vontade. Eurídice possui em si a sede da criação e empreende suas habilidades como pode: na culinária, na costura e na escrita, sendo, muitas vezes, cerceada pelo marido e tendo que realizar suas atividades de forma clandestina.

E era também por estar preocupado com o que os outros iam dizer que não queria que sua mulher costurasse para fora. Iam achar que ele era homem de menos porque a mulher trabalhava demais.

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão é também a vida de muitas das mulheres que cruzam sua vida. A autora foi brilhante em esmiuçar o passado, as dores e os percalços da vizinha fofoqueira e amarga, da irmã rebelde que fugiu de casa, da mãe possessiva, entre tantos estereótipos, mostrando suas razões para se adequarem às suas realidades e as consequências disso.

O romance escancara os problemas do machismo e da misoginia no cotidiano das mulheres de ontem e de hoje. A busca da aprovação do olhar masculino para se sentirem bonitas ou mesmo para se definirem de alguma forma, a objetificação do corpo, a mulher como posse do homem e obrigada a representar uma personagem sempre quieta, obediente, afável, “comportada”. A autoestima, estraçalhada desde a infância, para que nos tornemos vulneráveis e sejamos fáceis de sermos “guiadas”. Por fim, o refúgio nas histórias escritas ou representadas, onde tudo acontece, diferentemente da vida real.

“Uma boa esposa não arranja projetos paralelos. Uma boa esposa só tem olhos para o marido e os filhos. Eu tenho que ter tranquilidade pra trabalhar, você tem que cuidar das crianças.”

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão é, em realidade, as nossas próprias vidas, algumas mais, outras menos invisíveis. Com certeza há uma Eurídice muito mais perto de nós do que imaginamos. Talvez sejam nossas mães, talvez as tias, as avós, as irmãs. Talvez, sejamos nós mesmas. Olhemos umas pelas outras. Cuidemos umas das outras.

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