O Diário de Anne Frank

Você, caro leitor, já escreveu um diário? Trata-se de um registro da vida cotidiana: problemas do dia-a-dia, pessoas, lugares, angústias, medos, sonhos… O diário é algo muito pessoal, guardado, muitas vezes, a sete chaves, um segredo entre a pessoa e o papel. Diários são registro da vida comum e nem sempre são tão impressionantes. Se meus diários de criança ainda existissem, o leitor poderia encontrar o cardápio do dia ou a briga com o coleguinha na escola, nada que pudesse causar grande interesse. Então, o que torna o diário de uma mocinha comum de 13 anos tão interessante a ponto de ser um dos livros mais vendidos do mundo, aclamado por personalidades e estudado em muitos lugares?

O Diário de Anne Frank (1947, publicado atualmente pela Record (compre na Amazon ou na Livraria da Travessa) retrata a vida de Anne, com seus medos, seus sonhos, suas brigas e incompatibilidades com a mãe, sua predileção pelo pai e admiração pela irmã mais velha, suas descobertas próprias da idade, seu começo de paixão pelo colega. Acontece que Anne não é qualquer menina: ela é uma garota judia, vivendo escondida com sua família e mais outras pessoas em um cubículo anexo ao escritório de seu pai em plena Segunda Guerra Mundial.

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Anne Frank nasceu em Frankfurt e mudou-se com sua família para Amsterdã quando Hitler subiu ao poder. Como qualquer garota de sua idade, frequentava a escola, tinha seus amigos, desejava manter um diário. Quando sua irmã mais velha recebe uma convocação para se apresentar em um campo de concentração, Otto Frank, pai das meninas, decide que é o momento de se esconderem, indo com a família para o anexo construído para esse propósito. Alguns dias depois, juntam-se a eles a família dos Van Daan e, mais tarde, um dentista. Lá, essas pessoas ficam confinadas de junho de 1942 até o início de agosto de 1944, período em que Anne mantém seu diário, sendo descobertos pela Gestapo e mandados à Auschwitz.

Em seu diário, Anne narra a convivência das pessoas do anexo, os conflitos, o medo de serem descobertos, a luta pela sobrevivência, o silêncio durante todo o dia para que ninguém percebesse a presença deles, o rádio ligado durante as noites para acompanhar os acontecimentos da guerra. Junto a isso, as impressões da própria Anne, suas descobertas da adolescência, a sexualidade aflorando, seus sonhos para o futuro. Em determinada noite, quando Anne já escrevia seu diário, o Ministro holandês exilado da Educação, Arte e Ciência faz um pedido, através de um rádio inglesa, para que os registros cotidianos do período da guerra sejam preservados, a fim de que a humanidade pudesse conhecer, posteriormente, os horrores da guerra na vida das pessoas comuns. É então que Anne passa a escrever seu diário com o desejo de que ele seja publicado um dia, endereçando suas anotações a uma amiga, Kitty.

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Os relatos de Anne são bastante emocionantes e aproximam o leitor dos horrores da guerra, pois ficamos a refletir que uma mocinha comum, com sonhos, anseios e tanta vida pela frente, como todos nós somos ou fomos um dia, viveu dias de extremo pavor, incertezas, privações, como jamais deveriam ser impostas por outros seres humanos.

Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, supostamente em março de 1945, aos 15 anos, de tifo. Seu pai, Otto Frank, foi o único sobrevivente dos moradores do anexo e recebeu o diário de Anne após a confirmação de sua morte. As primeiras versões publicadas do diário sofreram censura em alguns trechos pelo próprio Otto, pois poderia causar impressões que fugiriam da intenção da divulgação pelo seu cunho extremamente pessoal (como os conflitos com a mãe e a sexualidade de Anne). Atualmente, o diário é publicado integralmente.

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O ambiente em que Anne ficou confinada com os demais é hoje lugar de visitação. Uma amiga minha foi até o lugar e comentou da emoção que lhe invadiu. Segundo o relato, o local é bastante pequeno e é quase inacreditável que oito pessoas possam ter convivido naquele espaço por tanto tempo.

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Caso estejam passando pela Holanda, sugiro a visita a esse museu e, por favor, passem por aqui para contar como foi a experiência!

Boas leituras e ótimas reflexões!

6 comentários em “O Diário de Anne Frank

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  1. Tive a oportunidade de visitar o Museu, e realmente, é impactante você ver aquilo com seus próprios olhos depois de ler sobre a vida naquele anexo no diário de Anne. É bem estreito e os cômodos são pequenos. Achei emocionante um batente que tinha as marcas de crescimento dos jovens confinados. Uma visita imperdível, com certeza, mas também ao mesmo tempo inspiradora e muito triste.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Meu Deus, eu nem consigo imaginar! Se um dia eu for dar um passeio por lá, com certeza o museu entrará na lista de vistas obrigatórias. Fico feliz que você tenha tido a oportunidade de ver de perto esse lugar e vir compartilhar a experiência conosco! 🥰

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  2. O Diário de Anne Frank é um relato brutal do que o ser humano é capaz de fazer com seus semelhantes. É uma história triste, mas que devemos conhecer.

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