A História do Espiritualismo

O final do século XIX e o início do século XX foram bastante agitados. Na França, o fenômeno das mesas girantes que respondiam às perguntas das pessoas deram origem, após a pesquisa minuciosa e o trabalho exaustivo de Allan Kardec, à Doutrina Espírita. Porém, os fenômenos não se limitaram às fronteiras francesas, muito embora seja comum nos lembrarmos apenas dos eventos que permearam a codificação. Na obra de hoje, Arthur Conan Doyle, também criador do famoso detetive da literatura Sherlock Holmes, detalha diversos fatos psíquicos ocorridos desde Swedemborg até a data da publicação do título, em 1926. A História do Espiritualismo é editada pela FEB, está em sua primeira edição e conta com 558 páginas. (Adquirindo seu exemplar pelo nosso link na Amazon, você ajuda o blog a crescer!)

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A primeira coisa que chama a atenção neste livro é o título. A história não é do Espiritismo, mas do Espiritualismo. Conan Doyle era de origem escocesa, das terras da rainha e, portanto, teve uma percepção bastante diversa daquela dos franceses. Historicamente, franceses e britânicos não se dão muito bem, o que dificultava a comunicação e o entendimento entre as nações naquela época, além da precariedade dos meios de comunicação, em comparação com os dias atuais. Dessa forma, o autor trata, em seu livro, da visão anglo-saxã dos fenômenos espirituais que tomaram conta do mundo em sua época, tornando mais fácil a compreensão dos motivos pelos quais o espiritismo não se difundiu como doutrina de forma ampla nos países de língua inglesa e também a forma bastante diferenciada como se costuma tratar a espiritualidade nesses lugares.

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Conan Doyle descreve de maneira riquíssima as pesquisas psíquicas feitas por ele próprio e por comissões científicas, incluindo nomes bastante famosos para o período, como a própria Marie Curie. De maneira bastante agradável, o autor descreve a trajetória de diversos médiuns e as pesquisas acerca dos fenômenos relacionados, como as irmãs Fox, Daniel Dunglas Home e Eusapia Palladino. Casos de fraudes que ajudaram o espiritualismo a cair no descrédito também são descritos, assim como trabalhos bastante sérios.

Alguns espíritas podem acabar torcendo o nariz ao perceber que Allan Kardec, tão aclamado por nós, aparece em apenas um pedaço de um capítulo não tão longo, intitulado “Espiritualismo francês, alemão e italiano”. Convém novamente lembrar das desavenças entre as nações à época e a dificuldade da comunicação, além de que o Espiritismo como o conhecemos ainda não estar realmente consolidado. Ressalto que pode ser fascinante ver a situação pelo olhar de alguém com perspectiva tão diferente da nossa. Além disso, Conan Doyle nos faz um grande favor ao nos mostrar os arredores da codificação, detalhando fatos que, talvez, não teríamos acesso de outra forma.

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Arthur Conan Doyle começou a se interessar e investigar fenômenos psíquicos em 1887, mas foi em 1916, no auge da Primeira Guerra Mundial, que se declarou espiritualista. (Na verdade, ele já o havia feito antes, mas ainda estava… indeciso.) Os horrores da guerra e a mediunidade da babá de seus filhos teriam influenciado suas crenças. Em 1918, publicou A Nova Revelação, onde escreveu para o mundo acerca do Espiritualismo. Por conta de suas crenças, Conan Doyle foi bastante ridicularizado, assim como muitos em sua época. Ainda hoje é possível encontrar algumas referências menos agradáveis sobre sua “saúde mental” em diversos lugares.

Para nós, permanece um grande homem, que contribuiu imensamente para a divulgação do Espiritualismo nos países de língua inglesa e para o registro histórico dos fenômenos que nos trouxeram até aqui. Também um grande escritor, perceptível a cada linha, já que consegue deixar agradável um livro com conteúdo tão profundo até aos leitores mais casuais. Um amigo, pois que vai conversando conosco a cada página, em seu estilo único, parecendo que está mesmo nos contando as últimas novidades de suas andanças. Não poderíamos esperar menos do pai de Sherlock Holmes, não é mesmo?

Deixo aqui o link para uma entrevista gravada com Conan Doyle, sobre Sherlock Holmes e sobre Espiritualismo.

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Boas leituras!

2 comentários em “A História do Espiritualismo

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