As Brumas de Avalon

As culturas britânica e celta sempre exerceram certo fascínio sobre mim e não seria diferente com a lenda do Rei Artur. Sem comprovação alguma de sua existência, as primeiras versões da estória surgiram ainda na Idade Média, cheias de elementos fantásticos e inacreditáveis, mas a mais interessante que eu encontrei até o momento em que escrevo essa resenha é a de uma mulher, escrita em 1979: As Brumas de Avalon, distribuída em 4 livros (A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore), escrita por Marion Zimmer Bradley, atualmente editada pela Planeta em volume único. (Adquirindo seu exemplar pelo nosso link na Amazon ou na Livraria da Travessa, você ajuda o blog a crescer!)

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A versão de Marion é bastante diversa das outras, embora não mexa nos pontos principais da estória. A narrativa é toda feita pela perspectiva das mulheres envolvidas, tirando o peso das batalhas sangrentas e colocando mais o lado mágico e os dramas. A história começa com a morte do rei Ambrósio, que não deixa herdeiros. Isso deixa uma instabilidade nas ilhas da Bretanha, pois a Antiga Religião e o Cristianismo crescente estão em conflito e os saxões estão ameaçando invadir e dominar a nação dividida. Uma profecia da ilha mística de Avalon, território das sacerdotisas da deusa da Antiga Religião, diz que um grande rei governará as ilhas, unindo sob seu estandarte as duas religiões e expulsando os invasores. Com base nessa profecia, Viviane, a senhora do Lago, visita sua irmã, Igraine, mãe de Morgana, dizendo-lhe que ela deverá gerar o futuro rei com Uther Pendragon. Após algumas brigas, algumas magias e alguns dramas, Artur nasce e é levado para ser educado pelo Merlim, título do maior sacerdote celta na história, e Morgana é levada por Viviane para ser educada como sacerdotisa e suceder sua tia.

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É interessante notar como as personagens são retratadas de forma tão diversa pela autora. Morgana é normalmente a vilã das histórias de Artur. Na obra, é uma vítima, uma heroína, às vezes vilã. Guinevere (ou, na escrita do livro, Gwenhwyfar), sempre a rainha bondosa e amada, é retratada como uma moça fanática e manipuladora, deixando o leitor muitas vezes com raiva da personagem, embora seja possível entender as razões que a levaram a agir de tal modo.

O livro mostra bastante o contraste entre as religiões presentes nas ilhas naquele período, sendo o Cristianismo muitas vezes retratado como o invasor que oprimiu o povo nativo e a cultura local. Isso deixou muitas pessoas religiosas irritadas, mas, convenhamos, foi isso mesmo o que aconteceu. É claro que as coisas mudaram nesses muitos séculos (pelo menos um pouco) e que também não podemos generalizar, mas é inegável que muitas culturas foram extintas por meio da força dos conquistadores, em nome de uma fé. Isso não significa uma defesa unilateral das religiões pagãs, visto que há vários pontos em que as coisas parecem absurdas para pessoas de nosso tempo.

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É interessante ler o livro já com a expectativa de encontrar aspectos bastante diferentes daqueles que estamos acostumados e tentar compreendê-los dentro do contexto em que estão inseridos. Algumas coisas são possíveis de serem transportadas para os nossos dias à título de reflexão, como o papel das mulheres, como eram tratadas, como somos tratadas, etc. Outros, como os rituais pagãos realizados naqueles tempos, não. É preciso tomar cuidado com as interpretações que fazemos das obras que lemos para não extrapolarmos e cometermos anacronismos ou exagerarmos em nossas convicções.

De minha parte, achei a obra fascinante! Em muitos momentos, parecia que estava vivendo junto às personagens, sentindo seus dramas. Ver a sociedade matriarcal dos celtas também me trouxe uma certa nostalgia, um encantamento que não sei descrever! Um livro para quem está disposto a ver sob outras perspectivas, a sair da zona de conforto!

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Boas leituras!

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