A Bela e a Fera

Quando eu era criança, meu conto de fadas e meu desenho da Disney preferidos eram A Bela e a Fera. Eu me identificava com a princesa apaixonada por livros e que parecia não se encaixar em lugar nenhum. Na verdade, ainda me identifico. Por isso, quando a Zahar (agora parte da Companhia das Letras) lançou esta maravilha de 240 páginas em 2016, fui logo garantir meu exemplar. (E você pode garantir o seu pelo nosso link na Amazon ou na Livraria da Travessa, assim você também ajuda o blog a crescer!)

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O livro, em edição primorosa em capa dura e cores magníficas, é dividido em três partes principais: uma apresentação, onde é possível angariar maiores informações sobre as autoras, o conto e suas possíveis origens, a versão clássica do conto, escrita por Madame de Beaumont, e a versão original, escrita por Madame de Villeneuve.

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Sei que alguns leitores não se interessam pelas apresentações dos livros e preferem partir para as histórias diretamente. Não faça isso! A apresentação desta obra enriquece grandemente a experiência do leitor, contando sobre o caso de Pedro González, que pode ter inspirado o conto, bem como a biografia das duas mulheres que escreveram as principais versões da história, mostrando como eram tão a frente de seu tempo.

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Ambas as versões contam a história de um comerciante rico que, necessitando viajar, apanha uma rosa para sua filha mais nova, Bela, nos jardins do castelo da Fera, por quem é ameaçado, condenado a morrer ali a menos que uma de suas filhas aceite trocar a sua vida pela do pai. A versão clássica, escrita em 1756 por Madame de Beaumont, é mais curta e a mais conhecida, sendo ela a mais adaptada para teatro e cinema, incluindo a animação que fez parte da infância da minha geração. Ainda assim, o leitor perceberá que faltam os elementos mágicos típicos da Disney. Não há louças falantes ou o musical do jantar ou mesmo um Gaston rude e enciumado servindo de contraponto para a Fera. Trata-se de uma versão mais romantizada e mais rasa, apresentando uma Bela mais submissa, casando com os ideais cristãos professados pela autora em sua época, colocando a moral e a bondade acima de qualquer coisa.

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Já a versão original, escrita em 1740 por Madame de Villeneuve, é bem mais longa e mais rica. Aqui a Fera é mais bruta e rude, sendo que isso é parte do feitiço sofrido por ela, que não permite que se expresse de maneira mais adequada e polida. Há uma história complexa por trás das razões do encantamento que prende o príncipe à forma bestial, contada mais ao final, explicando as vidas da Bela e da Fera, assim como de suas famílias, antes do feitiço acontecer. Nesta versão, temos as fadas, animais que servem a Bela (não são louças, novamente) e espelhos que permitem que a moça e a Fera vejam o que acontece em várias partes do mundo em tempo real. Há ainda os sonhos misteriosos de Bela e sua relutância em aceitar a Fera. Em seu conto, Villeneuve deixa claro seu posicionamento sobre o casamento arranjado, sendo a favor de que os noivos se unam por afinidade de ideias e de idade, algo muito diferente do costume da época.

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Passeando pela internet, encontrei opiniões bastante intrigante, porém quase uniformes. Muitas pessoas afirmaram que o melhor seria ler o conto original primeiro e só depois ler a versão de Beaumont. Eu discordo, acho que a organização da editora foi perfeita em deixar a versão mais longa e completa para o final, justamente porque a considero superior à versão clássica. Várias pessoas consideraram que a versão clássica era melhor que a versão original, talvez porque esta última fuja bastante do que a Disney nos acostumou a ter como referência de A Bela e a Fera. Mas veja, é o original, tudo saiu dali. Claro que ninguém é obrigado a gostar de versão alguma, mas parece que essas opiniões estão muito mais ligadas à memória afetiva do que à qualidade da obra em si. Até porque não foram poucos os comentários que li dizendo que “a Disney é melhor”.

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Após a leitura dos contos, fiquei me perguntando por que não há muitas adaptações da versão original para filmes. Imagino, embora não possa afirmar, que seja pela sua complexidade, já que é um conto longo e bastante detalhado. Ainda assim, gostaria de indicar um filme francês, homônimo, que foi lançado em 2014 e que se inspira muito mais na versão original que na versão clássica (veja o trailer, adquira o DVD). E uma curiosidade: no live action lançado pela Disney em 2017, o vilarejo em que Bela vive com seu pai se chama Villeneuve, em homenagem à escritora do conto original.

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Boas leituras!

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